A natureza química do material genético
A natureza química do material genético começou a ser desvendada a partir de 1869, quando o bioquímico suíço Friedrich Miescher (1844-1895) isolou grandes moléculas do núcleo de células, que ele denominou nucleínas. Posteriormente, outros cientistas confirmaram que as nucleínas possuíam natureza ácida e passaram a chamá-las ácidos nucleicos.
No início do século XX, foram identificados dois tipos de ácido nucleico: o ácido desoxirribonucleico (DNA) e o ácido ribonucleico (RNA). A compreensão da estrutura e da função dessas moléculas, no entanto, só foi alcançada mais tarde, por meio de diversas pesquisas.
Até o início do século XX, as biomoléculas mais estudadas eram as proteínas e, devido à sua diversidade de funções, pensava-se que elas eram as responsáveis pela hereditariedade. Essa interpretação começou a mudar a partir de 1928, com os estudos do microbiologista inglês Frederick Griffith (1877-1941).
Um pouco de história
No início da década de 1950, a físico-química britânica Rosalind Franklin (1920-1958) e o então aluno de doutorado Raymond Gosling (1926-2015) conseguiram obter uma fotografia de alta qualidade da molécula de DNA usando uma técnica na qual Franklin era especialista: a difração de raios X. Essa imagem, identificada como Fotografia 51, revelou que o padrão molecular do DNA formava um X.

No início da década de 1950, a físico-química britânica Rosalind Franklin (1920-1958) e o então aluno de doutorado Raymond Gosling (1926-2015) conseguiram obter uma fotografia de alta qualidade da molécula de DNA usando uma técnica na qual Franklin era especialista: a difração de raios X. Essa imagem, identificada como Fotografia 51, revelou que o padrão molecular do DNA formava um X.

Em (A), Rosalind Franklin em foto de 1956; em (B), a Fotografia 51, retirada de suas anotações, que evidenciava que a molécula apresentava um padrão em forma de X.
O biólogo estadunidense James Watson (1928-2025) e o físico britânico Francis Crick (1916-2004) estavam construindo vários modelos tridimensionais da molécula de DNA usando materiais diversos, como arames e cartões, mas nenhum desses modelos conseguia explicar a estrutura da molécula.
No início de 1953, o biólogo Maurice Wilkins (1916-2004), chefe do laboratório onde Franklin trabalhava, mostrou a Watson a cópia da Fotografia 51, sem que Franklin soubesse. Essa foto permitiu que Watson e Crick concluíssem que a molécula de DNA apresentava uma estrutura em dupla-hélice, conforme evidenciado pelo padrão em X mostrado na fotografia. Watson e Crick publicaram no mês de abril de 1953, na revista científica Nature, um artigo científico em que propuseram o modelo para a estrutura da molécula de DNA em dupla-hélice.
Na mesma edição dessa revista, Wilkins publicou um texto sobre DNA que complementava o trabalho de Watson e Crick, e Franklin e Gosling publicaram dados de suas pesquisas com informações derivadas da Fotografia 51, mas sem saber que esses dados haviam sido a base para o modelo de Watson e Crick.


